segunda-feira, 14 de junho de 2010

Crítica - "Quem Me Dera Que Estivesses Aqui"

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«Iniciei a leitura deste "Quem Me Dera Que Estivesses Aqui" inspirada pelo título sugestivo e guiada pelas críticas muito positivas que tinha lido sobre o romance anterior do autor, "Amor em Minúsculas". Confesso que, a princípio, a descrição da vida sem sentido do personagem principal não me agradou especialmente. A história arrastava-se e não parecia conduzir a lado nenhum. Mas tudo mudou subitamente quando este decide partir e fazer alguma coisa, por mais disparatada que seja! Seguem-se uma série de acontecimentos, tão inesperados como quase desconexos, que me prenderam ao livro por surpresa e curiosidade! Demonstrando mais arte do que inicialmente se poderia suspeitar, o autor consegue unir os acontecimentos em torno de Daniel de forma impressionante, deixando um sorriso rasgado ao longo das últimas páginas a quem tem o livro na mão!


História à parte, há vários pontos que me agradaram especialmente e que gostaria de realçar sobre este livro. Entre eles, estão as várias referências a literatura, cinema e música que o autor vai introduzindo a propósito da história e são verdadeiros doces escondidos. Mais me agradaram as descrições de um Paris pouco turístico, como ainda não conheço e tenho real vontade de conhecer, que fazem do livro quase um guia de pequena jóias escondidas na cidade.

Um romance "disfarçado" que agradará a românticos declarados e aos que não o costumam confessar. Mais filosófico do que possa pensar, este livro vai, com certeza, fazer as delícias de muitos.

P.S.: Apaixonei-me pela capa!»

in Páginas Desfolhadas
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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Crítica "O Beijo dos Elfos"

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«Quando peguei no livro "O Beijo dos Elfos" não sabia absolutamente nada acerca deste, nem a sinopse tinha lido… De férias e sem nada para ler pedi-lhes um livro, tendo surgido logo de seguida 4 ou 5 à escolha! Escolhi este apenas pela capa e pelo título (já que sou uma fã incondicional do Fantástico!). Comecei de imediato a lê-lo e, apesar de ser claramente um livro para adolescentes, ao fim de dois capítulos já me tinha prendido. Com uma escrita bastante fluida e acessível, Aprilynne Pike encanta-nos com a história fantástica duma rapariga de 15 anos, em muito igual a tantas outras e, ao mesmo tempo, tão diferente de tudo o que conhece. Depressa vamos tomando consciência do mundo mágico a que pertence, deixando-nos envolver pelas atribulações e descobertas desta jovem.

O que apreciei mais neste livro foi o facto de não se tornar demasiado previsível e óbvio, conseguindo manter um certo suspense até ao fim. Quando julgamos saber o que vem a seguir, logo uma reviravolta surge que nos mantém “agarrados”! Penso, também, que a autora foi bem sucedida na sua tentativa de unir factos históricos com a fantasia, mantendo a coerência do texto.

Embora se trate de um livro juvenil, julgo que os fãs do fantástico não ficarão desiludidos com este livro. Fico, então, a aguardar pelo próximo livro!»

in Páginas Desfolhadas

terça-feira, 8 de junho de 2010

Em Julho



Um objecto misterioso encontrado num vulcão adormecido vai mudar para sempre a vida de Adrian e Keira. Juntos embarcarão numa aventura extraordinária que os levará das margens do lago Turkana, no coração de África, até às montanhas da China, em busca da resposta a uma das perguntas ancestrais da humanidade: como começou a vida na Terra?


Keira é uma arqueóloga ambiciosa e cheia de paixão que está a dirigir a sua primeira escavação no vale do Omo, na Etiópia. Quando uma tempestade de areia destrói a escavação, ela não tem outra hipótese senão abandonar a expedição e regressar a Paris. Traz consigo uma jóia estranha que lhe foi oferecida por um órfão etíope…

Adrian é um astrofísico de sucesso que está de licença sabática a fazer investigação num observatório remoto, no planalto de Atacama, no Chile. Contudo, incapaz de lidar com o ar rarefeito da altitude montanhosa, é obrigado a regressar a Londres.

Enquanto competem por uma bolsa prestigiosa em Londres, os caminhos de Keira e Adrian cruzam-se. Acidentalmente, Keira deixa a sua jóia com Adrian, fazendo despertar a sua curiosidade científica. Adrian começa a investigar as origens desta enigmática jóia, e rapidamente se apercebem de que há misteriosas personagens atrás do precioso objecto…

«Uma aventura de cariz científico com uma bela história romântica como pano de fundo.»
La République

«Um romance épico, uma história de aventuras imperdível.»
Nice Matin

terça-feira, 1 de junho de 2010

Novidades para Junho

Lançamento: 11 de Junho

Álbum de Família

David Sedaris

David Sedaris anda pela vida com um caderno de notas. Nele, aponta todas as bizarrias que vê e que, para a maior parte de nós, até poderiam parecer normais – até passarem pela peneira da ironia de Sedaris. Neste livro, reúne ensaios e memórias sobre alguns dos seus temas favoritos: a família, os relacionamentos e os desconhecidos meio loucos que encontramos no autocarro, na fila do supermercado ou até no apartamento do lado.

Sobre o autor:
David Sedaris é um dos escritores de humor mais conhecidos e de maior sucesso nos EUA. Este mestre da sátira colabora regularmente com a New Yorker, a Esquire, a G.Q. e a NPR. É autor de vários best-sellers internacionais e a sua obra, publicada em mais de 15 idiomas, conta já com mais de 7 milhões de exemplares vendidos só nos EUA. Em 2001, foi galardoado com o Thurber Prize for American Humor e, no mesmo ano, a revista Time considerou-o o humorista do ano.

Elogios:
«Parece que a família Sedaris foi posta neste mundo só para nos entreter. As cómicas descrições de Sedaris dos seres mundanos e excêntricos que habitam o nosso planeta fazem dele um dos grandes humoristas de sempre.»
Chicago Tribune

«Aqui está a família Sedaris em toda a sua bizarra glória. O que emerge deste livro é o humor mais profundo – o da comédia humana.»
Publishers Weekly

«Brutalmente honesto e brilhantemente eloquente, Sedaris é um verdadeiro tónico para a alma.»
Booklist

«Um dos jovens talentos americanos mais mordazes e deliciosos.»
The Washington Post
ISBN: 978-989-666-033-8; 200 pág.; € 16,50

Título original: Dress Your Family in Corduroy and Denim




Lançamento: 11 de Junho

A Chave do Saber

Nora Roberts

Três mulheres. Três chaves. Cada uma das mulheres tem vinte e oito dias para descobrir o seu caminho através de uma perigosa busca que as poderá levar ao encontro dos seus sonhos... ou destruir para sempre as suas vidas.


Para Dana Steele, a literatura e o conhecimento a ela inerente é o que define a sua vida. Porém, o saber assume agora uma maior importância, pois é através dele que poderá descobrir uma das chaves que irá libertar três almas capturadas por um deus maléfico.

A sua missão não parece ser fácil, sobretudo porque o homem que a desiludiu reaparece, impedindo-a de se concentrar no verdadeiro perigo que a ameaça. Contudo, a amizade de Malory e Zoe ajudá-la-á a lidar com o seu passado, presente e futuro, para poder alcançar o sucesso.

O que acontece quando os deuses dependem da ajuda dos mortais? Neste segundo volume da empolgante TRILOGIA DAS CHAVES, Dana, com a sua paixão pelos livros, continua a busca que a levará a descobrir a Chave do Saber.

Sobre a autora:
Nora Roberts é uma reconhecida autora desde que começou a escrever as suas primeiras histórias em 1979.
Considerada uma das melhores romancistas do mundo, sabe combinar amor, intriga e mistério na perfeição. Recebeu vários prémios RITA, (Romance Writers of América), e é membro do Mistery Writers of America e do Crime League of America.
Os seus inúmeros romances estão traduzidos em diversos idiomas e muitos deles deram já origem a filmes. Com cerca de 160 livros na lista dos mais vendidos do New York Times até à data, Nora Roberts é indiscutivelmente a escritora de ficção feminina mais célebre e amada dos nossos dias.
Actualmente vive em Maryland, nos Estados Unidos da América, com o seu marido.
http://www.noraroberts.com/

ISBN: 978-989-666-081-9 ; 272 pág.; € 16,90
Título original: Key of Knowledge
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O Verão chega finalmente...

Depois de um longo, muito longo, e rigoroso Inverno, parece que o Verão está finalmente a chegar.
A Feira do Livro de Lisboa, apesar de assolada pelo vento e pela chuva durante alguns dias, foi um enorme sucesso.

O stand da Contraponto foi um dos mais concorridos, com tantos títulos irresistíveis à distância de um braço, entre eles: Desculpa, mas Vou Chamar-te Amor, A Mecânica do Coração , O Beijo dos Elfos, a conquistarem um número crescente de leitores.

Em Junho muitos aproveitarão os feriados para tirar umas merecidas férias, na companhia de um bom livro! Nós deixamos as sugestões deste mês: Albúm de Família, de David Sedaris, e a reedição do livro A Chave do Saber, de Nora Roberts.

Em Julho regressamos com mais novidades.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Crítica - O Vale das Bonecas

Blog Esmiuça o Livro


«A palavra que melhor define este livro é inesquecível….


"O Vale das bonecas" é a história de Anne, Neely e Jennifer.
Anne: ingénua e doce, mas ansiosa por descobrir tudo o que a vida tem para oferecer…
Neely: um espírito rebelde. Órfã desde a mais tenra idade, só ambiciona uma coisa na vida – rios de dinheiro!
Jennifer: com um corpo de fazer parar o trânsito, este imã sexual só deseja uma coisa – casa e assentar.


Mas quando os sonhos da vida se despenham contra os rochedos da desilusão, precisam de algumas «bonecas» – comprimidos calmantes, excitantes, ansiolíticos ou opiáceos – para sobreviver…
O que mais me admirou foi de como um livro escrito em 1969 se manter tão actual, realmente é um romance intemporal. Em que os medos, desafios e vontades descritos nas personagens são os mesmos que nós sentimos. Uma crítica ao tempo após guerra mas que se aplica aos nossos tempos.
O livro fala de relações amorosas, traições, aparências, sacrifícios e principalmente a capacidade do ser humano sobreviver e aceitar. Nem sempre da forma mais correcta mas a que é capaz.
Não o considero um livro leve, mas um livro com uma escrita directa e simples com um enredo bem construído. Principalmente um livro com uma mensagem com a qual nos identificamos.
Para mim um livro inesquecível. Fácil de entender a crítica do The Guiness Book World Records “O MAIOR BEST-SELLER DE TODOS OS TEMPOS”.»

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Excerto - "O Beijo dos Elfos"

«[...]

Na manhã seguinte, Laurel acordou com um leve formigueiro entre as omoplatas. Esforçando-se por não entrar em pânico, correu até à casa de banho e esticou o pescoço para examinar as costas no espelho.

O alto era maior do que uma moeda americana de vinte e cinco cêntimos!

Aquilo não era nenhuma borbulha. Tocou-o com cuidado e sentiu um formigar estranho e persistente em todos os sítios onde os dedos tinham roçado. Num acesso de pânico, agarrou a camisa de dormir ao peito e saiu a correr para o corredor em direcção ao quarto dos pais. Tinha acabado de levantar a mão para bater à porta quando se obrigou a parar e a respirar fundo.

Olhou para baixo, para si mesma, e sentiu-se de súbito bastante ridícula. O que é que lhe passara pela cabeça? Estava no corredor com pouco mais do que a roupa interior vestida. Envergonhada, afastou-se da porta dos pais e regressou furtivamente à casa de banho, fechando a porta o mais depressa e discretamente que conseguia. Voltou a virar-se de costas para o espelho e examinou o inchaço. Deslocou-se para o contemplar de vários ângulos diferentes, até se convencer de que era muito menor do que julgava.

Laurel havia sido educada com a ideia de que o corpo humano sabia cuidar de si mesmo. A maior parte das coisas, quando deixadas em paz, resolviam-se por si. Tanto o pai como a mãe se regiam por esse princípio. Eles nunca iam ao médico, nem sequer para obterem receitas de antibióticos.

– É só uma borbulha gigantesca e vai desaparecer por si – tranquilizou ela o seu próprio reflexo, com um tom de voz que soava exactamente ao da mãe.

Vasculhou na gaveta da mãe e encontrou um recipiente com o unguento que ela preparava todos os anos. Tinha alecrim, lavanda, óleo de árvore de chá e sabe-se lá que mais, e a mãe aplicava-o em tudo.

Mal não iria fazer.

Tirou uma dedada do unguento de odor doce e começou a esfregá-lo nas costas. Com o formigueiro causado pela irritação das mãos sobre o inchaço e o ardor do óleo de árvore do chá, as costas de Laurel estavam ao rubro quando enfiou a camisa de noite pela cabeça e, com os ombros comprimidos contra a parede, fugiu para o quarto.

Optou por uma T-shirt larga de manga curta e costas completas, ao estilo das de basebol, para aquele dia. A maior parte das camisolas cavadas que possuía provavelmente ocultariam o alto, mas não queria arriscar. Aquela coisa não podia crescer mais sem se tornar toda repelente, e, quando isso acontecesse, Laurel preferia tê-la bem escondida. Formigava sempre que algo roçava nela – o cabelo comprido, a T-shirt, quando a enfiava pela cabeça – e, claro, sempre que a tocava para comprovar que era real. Quando, por fim, se encaminhou para o piso de baixo, Laurel estava convencida de que todos os nervos do seu corpo comunicavam com o inchaço.

Quando chegou a quinta-feira, tornou-se insustentável continuar a acreditar que o que tinha nas costas não passava de uma borbulha. Não só a coisa continuara a crescer ao longo dos últimos dois dias, como parecia estar a crescer mais rápido. Naquela manhã, era do tamanho de uma bola de golfe.

Laurel descera para tomar o pequeno-almoço determinada a contar aos pais sobre aquele estranho inchaço. Chegara mesmo a tomar fôlego e a abrir a boca para desabafar de uma vez por todas.

No entanto, à última da hora, acobardara-se e limitara-se a pedir ao pai para lhe passar o melão.

Com as T-shirts que andava a usar nos últimos dias e o encobrimento que o cabelo comprido lhe dava, agora sempre solto, ninguém reparara ainda no alto, mas seria apenas uma questão de tempo – especialmente, se continuasse a crescer. «Se», repetia Laurel para si mesma vezes sem conta, «se continuar a crescer. Talvez aquilo da mãe tenha resolvido o problema.»

Já havia três dias seguidos que aplicava o unguento naquilo, mas não parecia estar a ter grande efeito. Também, pudera! Algo que ficava daquele tamanho tão depressa não podia ser uma coisa passível de ser tratada apenas com um oleozito de árvore do chá, pois não? Talvez fosse um tumor. Tinha a certeza de ter lido alguns artigos sobre pessoas que tinham tido tumores espinais. Laurel respirou fundo. Um tumor parecia-lhe uma causa bastante provável.

– Ei? Por acaso estás a ouvir-me? – A voz de Chelsea interrompeu-lhe os pensamentos e ela virou o rosto para a amiga.

– Quê?

Chelsea simplesmente riu-se.

– Bem me parecia que não. – Em seguida, mais brandamente: – Estás bem? Estavas completamente nas nuvens.

Levantou a cabeça e, por um segundo, não foi capaz de se lembrar da aula que ia ter.

– Estou óptima – murmurou, irritadamente. – Estava só a pensar.

Chelsea perscrutou-lhe o rosto por alguns segundos e depois ergueu uma sobrancelha céptica.

– Está bem.

David juntou-se-lhes e, quando Chelsea os deixou para se encaminhar para a sua aula, Laurel tentou andar mais rápido de forma a avançar à frente dele. Ele estendeu o braço e puxou-a para trás.

– Vais tirar o pai da forca, Laury? Ainda faltam três minutos para tocar.

– Não me chames isso – retorquiu com brusquidão antes que o pudesse evitar.

Ele cerrou a boca e não disse mais nada enquanto o fluxo de pessoas os contornava.

Laurel deu voltas à cabeça em busca de palavras para se desculpar, mas o que é que havia de dizer? «Desculpa, David, é que estou enervada porque sou capaz de ter um tumor.» Em vez disso, afirmou:

– Não gosto de alcunhas.

Entretanto, já ele firmara o seu sorriso valente.

– Não sabia. Desculpa. – Passou os dedos pelo cabelo. – Estás… – A voz perdeu-se e ele pareceu mudar de ideias. – Anda; eu acompanho-te à tua aula.

Agora sentia-se embaraçada ao caminhar ao lado dele. Virou-se para ele quando chegaram à sala, e acenou.

– Tchau.

– Laurel?

Deu meia-volta para olhar novamente para ele.

– O que fazes no sábado?

Hesitou. Estava ansiosa por voltar a combinar algo e, até àquela manhã, tinha dado voltas à cabeça, à procura de uma forma descontraída de colocar a pergunta. No entanto, talvez não fosse uma boa ideia.

– Pensei que podíamos reunir um grupo e fazer um piquenique, talvez com uma fogueira. Conheço um ponto óptimo na praia. A Chelsea disse que vinha, e também o Ryan, a Molly e o Joe. E houve mais algumas pessoas que disseram que talvez fossem.

Comida, areia e uma fogueira fumarenta. Nada daquilo lhe parecia divertido.

– Está algum frio, na verdade não dá para ir para a água, mas… sabes como é. Normalmente, há sempre alguém que é empurrado. É divertido.

O sorriso falso de Laurel esmoreceu. Odiava o toque da água salgada na pele. Mesmo depois de um duche, continuava a senti-la; como se o sal tivesse penetrado nos poros. Da última vez que nadara no oceano, acabara por passar os dias seguintes com uma sensação de moleza e de cansaço. Além disso, não haveria forma de ocultar o inchaço – ou o que quer que aquilo fosse – com um fato de banho.

Estremeceu ao indagar qual seria o seu tamanho dentro de dois dias! Não podia ir, mesmo se quisesse.

– David, eu… – Odiava dizer-lhe que não. – Não posso.

– Porque não? – inquiriu.

Podia dizer-lhe que tinha de trabalhar na livraria – até às semanas anteriores, ela tinha passado praticamente todos os sábados enfiada lá a ajudar o pai –, mas não conseguia forçar-se a mentir. Não a David.

– Simplesmente, não posso – murmurou e esquivou-se pela porta sem se despedir.

Pela manhã de sexta-feira, o alto tinha o tamanho de uma bola de softball. Era definitivamente um tumor. Laurel nem se deu ao trabalho de ir à casa de banho para o examinar. Conseguia senti-lo.

T-shirt alguma seria capaz de ocultar aquilo.

Laurel teve de vasculhar no fundo do roupeiro até encontrar uma blusa fofa que ao menos camuflasse a protuberância. Esperou no quarto até ser hora de ir para a escola e depois correu escadas abaixo e porta fora apenas com um grito de «Bom dia» e «Adeus» para os pais.

O resto do dia arrastou-se interminavelmente. O inchaço formigava agora a toda a hora, e não apenas quando lhe tocava. Não conseguia pensar em mais nada; era como um zumbido persistente na cabeça. Não falou com ninguém à hora de almoço e sentiu-se mal por isso, mas não conseguia concentrar-se em nada com as costas a arderem-lhe daquela maneira.

Quando, por fim, terminou a última aula, ela tinha dado quatro vezes uma resposta errada às perguntas da professora. As questões tinham-se tornado progressivamente mais fáceis, como se a señora Martinez estivesse a tentar dar-lhe uma oportunidade para se redimir, mas a professora bem podia estar a falar suaíli. Assim que deu o toque de saída, Laurel saltou da cadeira e encaminhou-se para a porta, à frente de todos. E, definitivamente, antes que a señora Martinez a pudesse encurralar para a questionar sobre o seu desempenho catastrófico.

Viu David e Chelsea a tagarelarem junto ao cacifo desta, pelo que tomou o sentido contrário e apressou-se a sair pelas portas das traseiras, a rezar para que nenhum deles se virasse e a reconhecesse pelas costas.

Assim que se escapou da escola, atravessou o campo de futebol, sem saber ao certo para onde ir numa cidade que ainda lhe era pouco familiar. Enquanto andava, não conseguia afastar o crescente temor. «E se for cancro? O cancro não desaparece simplesmente. Talvez devesse contar à mãe.»

– Segunda-feira – murmurou entre dentes, com o ar frio a açoitar-lhe o cabelo. – Se não desaparecer até segunda, eu conto aos meus pais.

Trepou pelas bancadas, com os pés a martelaram a cada degrau de metal que subia, até alcançar o topo. Permaneceu encostada à balaustrada a contemplar a linha do horizonte a ocidente, pelo cimo das árvores. Estar tão acima da área circundante fazia-a sentir-se separada e à parte. Era apropriado.

Ergueu a cabeça bruscamente ao ouvir passos atrás de si. Quando se virou, deparou-se com o rosto bastante embaraçado de David.

– Oi – cumprimentou ele.

Laurel não disse nada enquanto o alívio e a irritação que sentia se gladiavam na sua mente. O alívio estava a ganhar.

Ele acenou com a mão para o lugar onde ela estava.

– Importas-te que me sente?

Laurel permaneceu quieta por um momento, em seguida sentou-se na bancada e deu uma palmadinha no lugar ao lado com um sorriso ténue.

David sentou-se cautelosamente junto a ela, como se não confiasse no convite.

– Não era minha intenção seguir-te – desculpou-se, inclinando-se para a frente e apoiando os cotovelos nos joelhos. – Ia esperar por ti lá em baixo, mas... – encolheu os ombros – que queres que te diga? Sou impaciente.

Laurel não respondeu.

Permaneceram um longo tempo sentados em silêncio.

– Estás bem? – perguntou David, com a voz a soar anormalmente alta ao ressaltar nas bancadas metálicas vazias.

Laurel sentiu as lágrimas queimarem-lhe os olhos, mas obrigou-se a pestanejar para as conter.

– Hei-de ficar.

– É só que tens andado tão quieta a semana toda.

– Desculpa.

– Eu… eu fiz alguma coisa?

Ela ergueu a cabeça bruscamente.

– Tu? Não, David. Tu… tu tens sido óptimo. – Sentiu a culpa instalar-se e forçou um sorriso. – Só tive um dia mau, só isso. Com o fim-de-semana passa-me. Na segunda estarei melhor. Prometo.

David disse que sim com a cabeça e voltou a instalar-se o silêncio, pesado e incómodo. Em seguida, ele aclarou a voz.

– Posso acompanhar-te a casa?

Ela abanou a cabeça.

– Vou ficar aqui um bocado. Eu fico bem – acrescentou.

– Mas… – Não continuou. Limitou-se a assentir, depois levantou-se e começou a afastar-se. Em seguida, virou-se. – Se precisares de alguma coisa sabes o meu número, certo?

Laurel respondeu afirmativamente com a cabeça. Tinha-o apontado no quadro de avisos da família assim que chegara a casa e agora já o sabia de cor.

– Tudo bem. – Ele deslocou o peso de um pé para o outro e depois virou-se. – Agora vou-me embora.

Precisamente quando estava a desaparecer de vista, Laurel chamou-o.

– David?

No entanto, quando se virou para ela, com o rosto tão sincero e aberto, ela perdeu a coragem.

– Diverte-te amanhã – disse ela, sem grande convicção.

O rosto dele abateu-se ligeiramente, mas ele anuiu, deu meia-volta e continuou a afastar-se.

Nessa noite, Laurel sentou-se no toucador da casa de banho a fitar as costas. Caíam-lhe lágrimas pelas faces enquanto aplicava mais uma vez o unguento. Ainda não surtira qualquer efeito e a razão lógica dizia-lhe que nada faria desta vez, mas alguma coisa ela tinha de tentar.
[...]»

sexta-feira, 14 de maio de 2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Crítica - "Amor em Minúsculas"

Blog Galáxia dos Livros

«Mais uma vez foram a capa e o título que me fizeram desejar ler este livro. Como amante de gatos e de literatura romântica, não poderia deixar de achar a capa e a sinopse deste livro atractivas.


Curiosamente, a história não fala da história de um gato, mas sim, como a entrada inesperada de um gato provoca uma mudança total na vida de uma pessoa que sempre foi solitária. É com o gato Mishima que Samuel, o protagonista da história, vai começar a dar significado ao amor de pequenas coisas, aquelas que, à partida, parecem tão insignificantes. É assim que o título faz jus à história: Amor em Minúsculas, um amor de pequenas e importantes coisas. Esta obra foi, de facto, algo que me surpreendeu, uma vez que saiu completamente ao lado da ideia que eu tinha conjecturado pela capa e sinopse. Mas isso, não foi razão para desilusão, muito pelo contrário. É daquelas obras que nos fazem sentir um pouco mais ricos já que ela própria se envolve de muita cultura, não só na área da literatura, mas da história, da música, do amor, da simplicidade e riqueza da vida.
Foi um romance muito diferente de todos os que li até agora, mas é daqueles que recomendo a quem gosta de uma boa leitura. Aprovadíssimo!
Termino esta opinião com uma linda frase, de entre as muitas que o livro nos traz:
"(...)Não importa o que somos, mas o que fazemos com o que somos." (Francesc Miralles, 2009, pp.33)»
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terça-feira, 11 de maio de 2010

O beijo dos Elfos começa a derreter corações esta sexta-feira!

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É já na próxima sexta-feira, dia 14, que "O Beijo dos Elfos - Wings", de Aprilynne Pike, chega aos escaparates portugueses e como não podia deixar de ser iremos disponibilizar aqui um pequeno excerto para aguçar o apetite por mais. Mantenha-se atento e não perca também no dia 14, a estreia exclusiva do booktrailer!