terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Nomeações, amor e festa

Fevereiro é o mês dos namorados, do Carnaval e... das nomeações para os Óscares. Este ano a Contraponto está especialmente interessada neste grande evento do cinema, pois um dos favoritos é o filme Sacanas Sem Lei, de Quentin Tarantino, cujo argumento publicámos em Portugal, em Agosto de 2009. A nomeação de Christoph Waltz para melhor actor secundário é praticamente certa, bem como o Óscar. Falta saber se é desta que Quentin Tarantino alcança a glória com o seu maravilhoso argumento original e como realizador.
Com a primeira ponte do ano a aproximar-se, chega também a primeira oportunidade, após o Natal, de fazer uma pausa e relaxar... Ou não! Para os que gostam de gozar o Carnaval, não há melhor oportunidade do que esta para experimentar aquela fantasia que sempre quis e entrar na pele de uma personagem ou personalidade pela qual tenha uma curiosidade especial. Quem sabe não se mascara de um aniquilador de nazis, como Aldo Raine, personagem de Brad Pitt em Sacanas Sem Lei?
Este mês lançamos um dos autores revelação da literatura israelita, Ron Leshem, com o livro Se Houver Um Paraíso, considerado «arrebatador» e um «belíssimo romance» pela crítica internacional.
Conheça já de seguida todas as novidades que temos para este mês!

Brevemente!
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«Uma estreia formidável!»
Stephenie Meyer, autora da saga Twilight
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Série Wings
Aprilynne Pike
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«Por um momento, Laurel fitou aquelas coisas pálidas de olhos arregalados, hipnotizada. Eram assustadoramente belas – de uma beleza quase indescritível.

Laurel voltou a virar-se de frente para o espelho, de olhos fixos nas pétalas que pairavam no ar junto à sua cabeça. Quase pareciam asas.»

Nesta extraordinária história de magia e intriga, romance e perigo, tudo o que pensava saber sobre fadas mudará para sempre!


- Direitos de adaptação ao cinema adquiridos pela Disney -

- Best-seller do New York Times -

- Nomeações da American Library Association para Melhor Livro para Jovens Adultos de 2009, do Romantic Times para Melhor Livro para Jovens Adultos 2009, e do Cybils Awards para melhor livro de fantasia/ficção-científica -

- Traduzido para 19 idiomas -

Novidades de Fevereiro

Data de lançamento: 26 de Fevereiro

Se Houver Um ParaísoRon Leshem

Um dos Autores-revelação da Literatura Israelita Contemporânea
Vencedor do Prémio Sapir

«Com um ritmo maravilhoso, frases comparáveis a disparos de metralhadoras, uma profusão de cor e calão, Se Houver Um Paraíso é um belíssimo romance.»
Le Fígaro



«Erez Libreti é pouco mais velho que os 13 adolescentes que comanda nas Forças de Defesa de Israel. Tornou-se tenente e a sua função é liderar – e manter vivos – os seus jovens soldados quando são destacados para o monte mais alto do Sul do Líbano, um antigo forte de cruzados chamado Beaufort. É o sítio mais belo que Erez já viu, mas também o mais fatal. A sua missão é impedir ataques terroristas ao Norte de Israel, o que significa estar de guarda sob bombardeamentos quase constantes do Hezbolah. Estamos em 1999 e as Forças de Defesa de Israel ocupam Beaufort desde 1982. Narrado através de um monólogo interior, este cativante romance de estreia descreve a vida de um grupo de adolescentes que se têm de transformar em soldados duros e prontos para a batalha. Também descreve um país cada vez mais cansado de guerras sem fim e desgastado pelas divergências entre pacifistas e militaristas e entre seculares e ortodoxos. Um romance trágico, engraçado, mordaz, cheio de raiva, chocante e comovente. A não perder.»
Booklist

Sobre o autor:
Ron Leshem nasceu em Ramat Gan, perto de Tel Aviv, em 1976. Foi editor do jornal Maariv e presentemente é director de programação do principal canal de televisão comercial em Israel. Se Houver Um Paraíso é o seu primeiro romance. Foi consagrado com o maior galardão literário de Israel, o prémio Sapir, e tornou-se um best-seller publicado por toda a Europa e nos EUA.

Crítica de imprensa:
«Se Houver Um Paraíso: um título cheio de ternura, romance e encanto, mas enganador… Está longe de ser pastoral. Este livro apanha-nos de surpresa.»
Le Monde


ISBN: 978-989-666-017-8; 296 pág.; € 19,00



Lançamento: 5 de Fevereiro
Crepúsculo em OsloAnne Holt

Num Inverno frio em Oslo, algumas celebridades aparecem mortas nas mais macabras posições: a apresentadora de um programa de entrevistas é encontrada com a língua cortada, uma dirigente política é crucificada com um exemplar do Alcorão introduzido no seu corpo e um crítico literário é descoberto com uma caneta cravada no seu olho. Parece que o assassino procura uma espécie de vingança, mas de quê?
O casal Adam Stubø e Johanne Vik, ocupado a cuidar da filha recém-nascida, vê-se relutantemente envolvido na investigação. Embora seja Stubø a conduzir o inquérito, é Johanne quem se recorda de um padrão perturbador que remonta ao tempo em que esteve no FBI, uma época que fez por esquecer.
Enquanto tenta descobrir se a polícia norueguesa está perante um anjo vingador ou um simples imitador, o tempo vai-se esgotando e, de repente, Johanne apercebe-se de que ela e Adam podem ser as próximas vítimas do assassino…

Sobre a autora:
Anne Holt nasceu na Noruega e passou a sua infância entre o seu país natal e os Estados Unidos da América; hoje em dia vive em Oslo. É a autora escandinava de livros policiais de maior sucesso. As suas obras já venderam mais de cinco milhões de cópias e ocupam os primeiros lugares das listas de best-sellers internacionais. Alguns dos seus livros deram origem a séries de televisão e filmes. Foi distinguida com o Prémio Riverton (o mais prestigiado para a literatura policial da Noruega), o Prémio Booksellers (o prémio literário com maior destaque da Noruega) e o Prémio Cappelen.

Crítica de imprensa:
«O trabalho de Anne Holt é racional, complexo e extremamente gratificante.»
Kirkus Reviews

ISBN: 978-989-666-060-4; 276 pág.; € 17,00



Lançamento: 5 de Fevereiro
Um Sonho de EsperançaNora Roberts


Margo, Laura e Kate cresceram juntas no luxuoso ambiente da Casa Templeton, ouvindo a trágica história de Seraphina e do seu misterioso dote. Chega a altura de cada uma seguir o seu rumo e realizar os seus sonhos, mas, apesar da distância, a Casa Templeton será sempre o seu porto de abrigo e os laços que as unem são inquebráveis.
Laura sempre teve todo o conforto e segurança material que a família Templeton lhe podia proporcionar. Porém, chega o dia em que vê desmoronar o sonho da sua vida: o seu casamento é destruído pela infidelidade do marido e pela certeza do mero interesse deste no seu património.
Perante a sua nova situação familiar, Laura sente-se constrangida devido ao estigma da «mulher enganada, com duas filhas para criar». Além disso, não quer depender da fortuna da família para retomar o seu caminho. É a amizade de Margo e Kate, as suas irmãs do coração, que irá ajudá-la a revelar a mulher independente que existe dentro de si.

Um Sonho de Esperança é o último romance da envolvente Trilogia dos Sonhos.

Sobre a autora:
Nora Roberts é uma reconhecida autora desde que começou a escrever as suas primeiras histórias em 1979.
Considerada uma das melhores romancistas do mundo, sabe combinar na perfeição amor, intriga e mistério nas suas obras. Recebeu vários prémios RITA (Romance Writers of America) e é membro do Mistery Writers of America e do Crime League of America.
Os seus inúmeros romances estão traduzidos em diversos idiomas e muitos deles deram já origem a filmes. Com cerca de 160 livros na lista dos mais vendidos do New York Times até à data, Nora Roberts é indiscutivelmente a escritora de ficção feminina mais célebre e aclamada dos dias de hoje.
Actualmente vive em Maryland com o seu marido.
http://www.noraroberts.com/

Crítica de imprensa:
«Uma escritora em harmonia com o entretenimento.»
USA Today

«Incomparável.»
Romantic Times

«Dificilmente um editor encontrará uma autora com um estilo mais eclético ou com uma imaginação mais fértil do que Nora Roberts.»
Publishers Weekly
ISBN: 978-989-666-061-1; 296 pág.; € 16,90

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Novo ano, novas (re)leituras...

Com o novo ano, surgem sempre novas resoluções, uma vontade de fazer algo diferente, mesmo que seja aparentemente insignificante, como mudar a disposição da mobília da sala ou passar a vestir saias mais vezes. O simples acto de pensar nas possibilidades que a chegada de um novo ano oferece é como um bálsamo, uma lufada de ar fresco para a rotina do dia-a-dia. O optimismo e a esperança poderão ou não inspirar à acção. Seja como for, são estes ciclos que permitem um reenício e que dão mais prazer à vida. Para as editoras é a oportunidade de programar o lançamento de mais e melhores livros, de renovar o seu catálogo, tornando-o ainda mais interessante e apelativo. E é por isso que este mês relançamos algumas obras de um dos nossos melhores autores, Augusten Burroughs, em edições atraentes que vão apelar a todos os que ainda não conhecem este autor, e inspirar certamente uma releitura por parte dos seus leitores mais fiéis. Deixamos também um aperitivo muito especial de algumas das novidades para os próximos meses!
Os votos de um feliz ano de 2010!
Novidades para o primeiro trimestre

Para aguçar o seu apetite, deixamos aqui alguns dos títulos que irão sair nos próximos meses pela chancela da Contraponto.
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Se Houver um Paraíso
Ron Leshem
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Um dos Autores-revelação da Literatura Israelita Contemporânea
Vencedor do Prémio Sapir

«Com um ritmo maravilhoso, frases comparáveis a disparos de metralhadoras, uma profusão de cor e calão, Se Houver Um Paraíso é um belíssimo romance.»
Le Figaro

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Do autor campeão de vendas em França, Marc Levy
A Próxima Vez

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Numa viagem de São Petersburgo a Bóston, de Londres a Florença e a Paris, a história de um amor que desafia o tempo e a distância.

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Do autor mais romântico de Itália, Federico Moccia
Desculpa Se te Chamo Amor

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Neste livro, que marca o regresso de um dos autores mais populares de Itália, Federico Moccia narra a história de um amor impossível, único e extraordinário, capaz de ultrapassar todas as adversidades. É o amor entre Niki e Alex. Um amor simples, romântico e bonito... Com um pequeno defeito: estes dois jovens enamorados têm 20 anos de diferença entre si.


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Do autor do espião mais sexy do mundo
Ian Fleming


Quantum of Solace – O Agente Secreto – Vive e Deixa Morrer



especial Augusten Burroughs
.Depois de termos trazido a Portugal um dos autores best-seller do New York Times pela chancela Bico de Pena, reeditamos agora na Contraponto todas as obras de Augusten Burroughs, juntamente com o seu mais recente livro, também best-seller da lista dos mais vendidos do New York Times, À Mesa com o Lobo.
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Data de lançamento: 29 de Janeiro
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À Mesa com o Lobo
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«Chocante e assustadoramente emocionante, cativa o leitor de imediato.»
The Washington Post
.Com Correr com Tesouras, o livro de memórias acerca da sua infância tragicómica, Augusten Burroughs cativou leitores de todo o mundo. À Mesa com o Lobo é uma prequela de Correr com Tesouras, na qual Burroughs recorda a figura emblemática, possante e traumática do seu pai, um alcoólico agressivo e manipulador.
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Sobre o autor:Augusten Burroughs é um dos escritores de maior destaque no panorama literário norte-americano. Os seus livros de crónicas e memórias oferecem uma perspectiva única, sarcástica e provocante sobre a vida quotidiana; são grandes best-sellers internacionais, publicados em 25 idiomas e com uma presença constante nos tops de vendas. Correr com Tesouras permanece há mais de quatro anos na lista de best-sellers do New York Times e foi adaptado com grande sucesso ao cinema sob o nome Recortes de Uma Vida . Augusten Burroughs colabora regularmente com diversas publicações de renome, incluindo os jornais New York Times, The London Times, The Guardian e a revista Out. Vive em Nova Iorque e no Massachusetts com o seu companheiro de longa data, Dennis, e os seus dois Buldogues Franceses, Bentley e The Cow.
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«Uma das vozes mais cativantes e divertidas do século XXI.»
USA Today.«Um autor deliciosamente perverso.»
People
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Título original: A Wolf at the Table
ISBN: 978-989-666-022-2; 208 pág.; € 18,00

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Data de lançamento: 29 de Janeiro
A Seco
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Depois de crescer com uma mãe ausente e bipolar, criado por um psiquiatra louco e acompanhado pela sua família ainda mais demente, o que poderia o futuro reservar para Augusten Burroughs? Para começar, uma carreira de sucesso em publicidade. Chegado a Nova Iorque, Augusten torna-se copywriter numa das maiores agências do país. Com um salário chorudo, um apartamento na Village e uma vida social preenchida, brinda ao seu êxito... com vários brindes sucessivos. Um dia, descobre que tem em casa mais de mil garrafas vazias de cerveja e centenas de garrafas de whisky. E não se lembra de como foram lá parar. Depois de muitos blackouts e alguns outros embaraços, Augusten vê-se forçado a admitir o seu alcoolismo. Mas, como descobre rapidamente, a desintoxicação é apenas o primeiro passo num longo, longo caminho para a recuperação.
Título original: Dry
ISBN: 978-989-666-075-8; 264 pág.; 15 × 23; € 18,00
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Data de lançamento: 29 de Janeiro
Efeitos Secundários
Em Correr com Tesouras, Augusten Burroughs partilhou com o mundo a história tragicómica da sua invulgar infância e adolescência. Em A Seco, revelou os altos e baixos (muito baixos) do seu alcoolismo e da sua recuperação. Contudo, nada parece abalar o seu sentido de humor, como o comprova Efeitos Secundários, uma colecção de ensaios e crónicas sobre os mais variados assuntos (cães incontinentes, avós malévolas, encontros pela Internet, pastilhas de nicotina, executivos suburbanos, entre muitos outros) com apenas uma contra-indicação: pode resultar em gargalhadas incontroláveis!
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Título original: Possible Side Effects
ISBN: 978-989-666-077-2; 240 pág.; 15 × 23; € 18,00

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Data de lançamento: 29 de Janeiro
.Correr com Tesouras
.Augusten tem doze anos e diversas obsessões: joalharia, decoração, penteados, roupa e luxo em geral. A mãe, aspirante a poetisa, está a atravessar um divórcio difícil. Quando o seu psiquiatra, o excêntrico Dr. Finch lhe sugere que seria melhor «separar-se» também do filho, ela não hesita. É assim que Augusten se encontra a viver no seio da estranha família Finch, onde a única regra é não haver regras: a árvore de Natal fica na sala durante todo o ano, o Valium é consumido livremente e, quando não há mais nada para fazer, pode-se sempre brincar com a velha máquina de electrochoques.
Ao crescer numa família sem regras ou sem ter qualquer espécie de acompanhamento, Augusten aprende até que ponto a autonomia se pode tornar uma arma indispensável à resistência da sua sanidade mental.
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«Correr com Tesouras faz lembrar uma comédia muito bem elaborada e excêntrica, uma mistura de Jerry Springer com Jerry Seinfeld. Muito divertido, comovente, simplesmente extraordinário.»
The Independent
.«Atrevido, louco, muitas vezes hilariante.»
New York Times
Título original: Running With Scissors
ISBN: 978-989-666-049-9; 288 pág.; 15 × 23; € 18,00

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Imprensa:


O Mundo Invisível

Shamim Sarif

«Na comunidade indiana da África do Sul começam a fazer-se sentir os primeiros sinais do endurecimento do regime branco, em vias de instalar o tristemente célebre apartheid. Estamos no começo da década de 1950 e a face da besta aproxima-se. Amina é uma jovem indiana, maria-rapaz e insubmissa, gerente de um café, a meias com um mestiço africano. Jacob tem uma paixão impossível por uma mulher branca, a senhora dos correios. Mariam é uma jovem indiana com três filhos, resultado de um casamento combinado, como é tradição. O marido bate-lhe e tem uma amante. Nas primeiras páginas deste romance de estreia de Shamin Sarif (n. 1969), também cineasta, o tom está dado para uma história improvável, contada com uma delicadeza e determinação que fazem jus ao conselho que a avó dera a Amina: «Não sejas escrava de ninguém.» A caracterização do meio social e dos seus preconceitos é reforçada, precisamente, pela história dessa avó. Mas o cerne do livro é o encontro de Amina e Miriam, e tudo o que acontece quando o amor deflagra e não há chuva que o apague.»

Revista LER, Janeiro 2010

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Imprensa:

«Vida em minúsculas


Durante o conflito nos balcãs o escritor espanhol Francesc Miralles, autor de Amor em Minúsculas, passou o Inverno num campo de refugiados na Eslovénia. Ver pessoas privadas de quase tudo, mas sem perder a capacidade de sorrir, foi a sua experiência vital.

Texto Teresa Violante


Basta olharmos uma vez para Francesc Miralles para termos a certeza de que fardas e ordens militares não combinam com ele. Alto e tímido, ele exala tranquilidade. Por isso, e para fugir ao serviço militar obrigatório em Espanha, optou pela prestação social de substituição. Aos 27 anos, Francesc viu-se num campo de refugiados bósnios e conheceu Boris, o homem que mudou a sua vida.

É num simpático café na zona histórica de Lisboa, no Chiado, que nos conta esse momento vital. "Como eu sabia pouco de servo-croata, pois já tinha viajado muito pelos Balcãs, mandaram-me para um campo de refugiados bósnios para trabalhar numa escola", recorda. Aí conheceu Boris, outrora baixista de sucesso numa banda de rock no Canadá. De ascendência eslovena, vivia o imaginário das estrelas de música: mulheres, concertos e dinheiro a rodos. Até que um dia observou uma fotografia sua e viu-se num bar repleto de copos vazios, após um concerto. Apercebeu-se então da superficialidade que o rodeava. Sem olhar para trás fez as malas e regressou à Eslovénia. "Conhecer esta pessoa e as coisas que me ensinou...", suspira Francesc Miralles. "Ele ensinou-me que todas as experiências são um privilégio. Se te aborreces, se estás irritado ou descontente, é porque não estás a olhar para o lugar certo. Ensinou-me a desfrutar das pequenas coisas, daquilo que seria o Amor em Minúsculas da vida", explica, parafraseando o título do seu livro. Para Francesc, a experiência não podia ter sido mais reveladora. "Foi muito importante conhecer de perto pessoas privadas de tudo mas que têm momentos de alegria e acabam por ter uma vida quase normal. Aprendi que a capacidade de adaptação do ser humano é quase infinita".

Atento aos pormenores, o autor de Amor em Minúsculas valoriza coisas simples e simultaneamente grandiosas como a magia das ruas estreitas de Lisboa, ou a marca do passar do tempo revelada em casa pedra ou edifício. E felicita-se com as reacções positivas ao seu recente romance, já traduzido em nove idiomas, escrito em resposta ao desafio da sua editora: "um livro que tenha um gato e que seja sobre solidão". Apaixonado por felinos, Francesc imaginou o que poderia ter sido a sua vida se, como tudo levava a crer, se tivesse tornado professor universitário após concluir a licenciatura em Filosofia Alemã. "Mas tinha muito medo dos alunos", confessa. "Amor em Minúsculas é uma história muito intimista de amor e amizade". Afinal, são estas as minúsculas da vida que a tornam, para cada um de nós, maiúscula e cheia de significado.»


Gingko, Novembro de 2009

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Imprensa:

A Mecânica do Coração
Mathias Malzieu


«A história do pobre Jack começa na noite mais fria do mundo, em Edimburgo, no ano de 1874, quando nasce com um defeito congénito. Por sorte, a parteira, uma mulher de engenho, instala no peito do nascituro um mecanismo de relógio de cuco. O tom está dado para esta narrativa cheia de peripécias e aventuras, amores empolgados, conquistados e perdidos, em viagens por Paris e Andaluzia, em regressos mais ou menos tristonhos ao lugar de partida. Mathias Malzieu (n. 1974), escritor e vocalista da banda de rock francesa Dionysos, manuseia bem os diversos movimentos e andamentos de um conto do maravilhoso, a que também costumam chamar «contos de fadas». De facto, Madeleine é uma fada à sua maneira, mas também lhe chamam bruxa, enfim, o vocabulário dos néscios é sempre curto. Mas ela tinha um receio, a de que o seu pequeno sucumbisse, deixando-a: «O amor é perigoso para o teu coraçãozinho», garantia, o que era uma rematada mentira. O facto é que o pequeno Jack conhece o Sr. George Méliès, esse mesmo, um dos pioneiros do cinematógrafo, que o acompanha na demanda de Miss Acácia, a pequena cantora andaluza. Bom, aqueles amores parece que estavam destinados a um grande equívoco, o que é pena. Mas tudo visto, este livro é uma pequena maravilha, acreditem. Só quem não sentiu o coração a funcionar como um relógio descompassado não sabe. Paciência.»

Revista LER, Dezembro 2009