«A vida de Lina muda na noite em que a polícia soviética invade a sua casa. Sonhos e esperanças desvanecem-se para dar lugar à simples luta pela sobrevivência ao longo de uma penosa viagem rumo à Sibéria onde, condenados por crimes que eles próprios mal conseguem conceber, Lina, a mãe e o irmão, juntamente com muitos outros incluídos nas infames listas, se verão obrigados a trabalhar em condições menos que desumanas... ou a deixar a vida ao frio e à fome. Esta é a história de um primeiro Inverno, de uma luta contra indiferença e crueldade, de um testemunho contra o silêncio dos homens e dos tempos. A história de uma rapariga, mas que poderia ser a de tantos outros...
É impressionante a forma como a crueldade - por actos ou por omissões - se reflecte na história de Lina e dos que a rodeiam. Impressionante particularmente pela forma como a autora constrói esta história (que, sendo ficção, se baseia em testemunhos reais), na voz de uma protagonista que, tendo apenas quinze anos, estabelece, no contraste entre a brutalidade de cada dia e a sua inocência e as certezas da juventude, um percurso devastador.
A escrita é simples e directa, reflexo da personalidade da rapariga que nos narra a história. Para Lina, tudo o que vê é certo e, quer na crueldade, quer nas (poucas) acções generosas com que convive (principalmente da parte dos seus carcereiros), é o sucedido que importa relatar. Não há, portanto, grandes divagações ou elaborações, mas simplesmente os acontecimentos tal como teriam sido e as emoções com todo o impacto do momento. Há, pois, um evidente contraste entre a simplicidade do testemunho e a complexidade da situação e é precisamente este contraste que faz deste livro uma obra tão marcante.
Apesar das aparentes certezas da protagonista, nada neste livro é a preto e branco. Cinzento é o ambiente que os rodeia, cinzento o âmbito das decisões dos que têm esse poder (sendo esta ambiguidade particularmente evidente em Kretzky), cinzento o equilíbrio entre uma esperança ténue e um desespero que ameaça suplantar todas as possibilidades. Nada nem ninguém neste livro é simplesmente aquilo que parece ser e, apesar da aparente simplicidade do relato, há tanto mais reflectido nas pequenas situações, nas atitudes e nas palavras mais simples que, entre bem e mal, esperança e desespero, vida e morte... tudo é uma escala de tons e de possibilidades. Há, portanto, uma conjugação perfeita entre o conteúdo e o título original deste livro - Between Shades of Gray.
Importa, por último, referir o final deste livro. Numa história onde as pequenas linhas de esperança são tudo o que há para suster o apego à vida, fica a impressão de algumas perguntas sem resposta, numa conclusão um pouco brusca. Conclusão que, apesar de tudo, faz sentido, uma vez que é o tal "primeiro Inverno", com todas as suas provações, o ponto fulcral deste livro. Seria interessante, ainda assim, depois de tantas demonstrações de amor e lealdade em tempos de desespero, ver quanta da esperança era acertada e quantas promessas foram cumpridas.
Fica, pois, desta leitura, o impacto de uma obra que reflecte a crueldade humana num dos seus pontos máximos, mas também o afecto e a solidariedade quando um pequeno gesto basta para mudar tudo. De leitura compulsiva, emocionalmente devastador e com um poderoso contraste entre inocência e indiferença, um livro impressionante.»
As Leituras do Corvo
Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011
Crítica de leitor: «O Longo Inverno»
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Ruta Sepetys
Terça-feira, 22 de Novembro de 2011
Ofereça livros neste Natal
Um livro é um dos melhores presentes que se pode oferecer no Natal.
A Contraponto apresenta algumas sugestões de livros para oferecer aos seus familiares e amigos:
Para os mais pequenos:
A Contraponto apresenta algumas sugestões de livros para oferecer aos seus familiares e amigos:
Para os mais pequenos:
Terça-feira, 15 de Novembro de 2011
Imprensa: «O Longo Inverno»
«Degredo na Sibéria
É uma página esquecida da História, das repúblicas bálticas, Lituânia, Letónia e Estónia, anexadas pela URSS, na sequênci da partilha feita com o Reich alemão, em 1941. Ruta Sepetys, nascida no estado de Michigan, é descendente de refugiados lituanos e dispôs-se a recuperar a memória do calvário que milhares de pessoas padeceram ao serem deportadas para a Sibéria. Recolheu inúmeros testemunhos e teceu uma história exemplar desse tempo, quando os sicários de Estaline prenderam homens, mulheres e crianças, na sua maioria pertencentes às classes profissionais e cultas, medida que qualquer regime totalitário não descura para inviabilizar que no tecido social permaneça um módico de inteligência. A vida no gulag, o "arquipélgado" da infâmia, está hoje em dia bastante bem documentado. Mas ainda há histórias para contar, e não só naquela parte do mundo. Elegendo a vida de uma família, a autora sintetiza uma vivência feita de horrores quotidianos, pequenos e grandes gestos de abnegação, coragem e destemor face às condições de cativeiro, num ambiente e clima inóspitos. A jovem de 16 que toma a condução de O Longo Inverno (Contraponto, tradução de Susana Sousa e Silva) recolhe, sobrevive e testemunha a vida de quem já não existia enquanto humanidade de pleno direito. "Existiam milhares de pessoas como nós, quase todas morreram", escreve a protagonista desta versão romanceada do período negro. "Este testemunho foi escrito para que haja um registo completo, para poder falar num mundo onde as nossas vozes foram silenciadas".»
Revista LER
É uma página esquecida da História, das repúblicas bálticas, Lituânia, Letónia e Estónia, anexadas pela URSS, na sequênci da partilha feita com o Reich alemão, em 1941. Ruta Sepetys, nascida no estado de Michigan, é descendente de refugiados lituanos e dispôs-se a recuperar a memória do calvário que milhares de pessoas padeceram ao serem deportadas para a Sibéria. Recolheu inúmeros testemunhos e teceu uma história exemplar desse tempo, quando os sicários de Estaline prenderam homens, mulheres e crianças, na sua maioria pertencentes às classes profissionais e cultas, medida que qualquer regime totalitário não descura para inviabilizar que no tecido social permaneça um módico de inteligência. A vida no gulag, o "arquipélgado" da infâmia, está hoje em dia bastante bem documentado. Mas ainda há histórias para contar, e não só naquela parte do mundo. Elegendo a vida de uma família, a autora sintetiza uma vivência feita de horrores quotidianos, pequenos e grandes gestos de abnegação, coragem e destemor face às condições de cativeiro, num ambiente e clima inóspitos. A jovem de 16 que toma a condução de O Longo Inverno (Contraponto, tradução de Susana Sousa e Silva) recolhe, sobrevive e testemunha a vida de quem já não existia enquanto humanidade de pleno direito. "Existiam milhares de pessoas como nós, quase todas morreram", escreve a protagonista desta versão romanceada do período negro. "Este testemunho foi escrito para que haja um registo completo, para poder falar num mundo onde as nossas vozes foram silenciadas".»
Revista LER
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011
Preview - «Sangue Quente»
Em 2012 a Contraponto publica este livro:
que está a ser adaptado ao cinema pela Summit Entertainment, a mesma produtora dos filmes da Saga Twilight, e já foi divulgada a primeira imagem promocional do filme:
A história:
R é um jovem com uma crise existencial – ele é um zombie. Ele vagueia por uma América destruida pela guerra, pelo colapso social, e pela fome desmesurada dos seus companheiros mortos-vivos, mas ele anseia algo mais que sangue e cérebros. Ele pode falar somente algumas sílabas grunhidas, mas a sua vida interior é profunda, plena de maravilha e desejo. Ele não tem quaisquer memórias, nem identidade, nem pulsação, mas tem sonhos. Depois de vivenciar as memórias de um menino adolescente ao consumir o seu cérebro, R faz uma escolha inesperada que começa com um tenso, desajeitado, e estranhamente doce relacionamento com a namorada humana da vítima. Julie é uma explosão de cor no meio da sombria e cinzenta paisagem que cerca R. A sua decisão de protegê-la vai transformar não apenas R, mas também o seu companheiro Morto, e talvez o seu mundo inteiro. Assustador, divertido, e surpreendentemente pungente, Sangue Quente é sobre estar-se vivo, estando morto, e a linha obscura entre os dois.
que está a ser adaptado ao cinema pela Summit Entertainment, a mesma produtora dos filmes da Saga Twilight, e já foi divulgada a primeira imagem promocional do filme:
A história:
R é um jovem com uma crise existencial – ele é um zombie. Ele vagueia por uma América destruida pela guerra, pelo colapso social, e pela fome desmesurada dos seus companheiros mortos-vivos, mas ele anseia algo mais que sangue e cérebros. Ele pode falar somente algumas sílabas grunhidas, mas a sua vida interior é profunda, plena de maravilha e desejo. Ele não tem quaisquer memórias, nem identidade, nem pulsação, mas tem sonhos. Depois de vivenciar as memórias de um menino adolescente ao consumir o seu cérebro, R faz uma escolha inesperada que começa com um tenso, desajeitado, e estranhamente doce relacionamento com a namorada humana da vítima. Julie é uma explosão de cor no meio da sombria e cinzenta paisagem que cerca R. A sua decisão de protegê-la vai transformar não apenas R, mas também o seu companheiro Morto, e talvez o seu mundo inteiro. Assustador, divertido, e surpreendentemente pungente, Sangue Quente é sobre estar-se vivo, estando morto, e a linha obscura entre os dois.
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